Xandão… ou Xandinho?

Finalmente Bolsonaro foi julgado. E eu entendo que qualquer coisa que o senhor Juiz fizesse seria exageradamente utilizada pela extrema direita para cortes e viralização. Mas será que isso justifica a falta de punho firme do Alexandre de Moraes diante do réu?

(Putz, como é bom poder chamar Bolsonaro de réu. Ainda que não pelo motivo que eu acho que deveria ser o primeiro a condená-lo, como já disse aqui: as 700 mil vidas ceifadas pelo Sars-Cov-2 de 2020 a 2022.

Enfim.)

Eu não acho que justifica. Na primeira pergunta, Bolsonaro já começou a fazer propaganda para cortes e citar inúmeras fake news. Quando a questão “O senhor tinha alguma prova de fraude das urnas?” deveria ser respondida com um simples sim ou não. Talvez o Xandão o tenha deixado falar para que tropeçasse na própria língua? Talvez. Aconteceu? Aconteceu, mas não no nível habitual de tropeço do Jair.

Tomando o comportamento de Alexandre de Moraes com Aldo Rebello como exemplo. Ali sim vimos o juiz enquadrando a testemunha como necessário, até mesmo ameaçando-o com prisão por desacato. Jair Bolsonaro divagou demasiadamente além de Aldo Rebello, e não foi advertido uma ÚNICA vez.

Assim como eu entendo que Bolsonaro não foi tão punido em 2022 como deveria pelo TSE. Pois teria mais motivos e raiva para atentar contra a democracia caso tivesse sido contido. Isso não faz com que eu considere correta a cegueira voluntária por parte da justiça eleitoral.

Por que não foi perguntado por Alexandre se Bolsonaro tinha ou não mexido na minuta do golpe ou considerandos, como os golpistas aparentemente gostam de chamá-la? Coube ao advogado de Bolsonaro, Celso Villard, fazer a tal pergunta. Essa definitivamente deveria ter sido proferida pelo juiz do caso ou pelo menos pelo Fux. Ele fez questão de agir como se ele fosse a autoridade relatora daquele caso, e não Alexandre de Moraes.

Faltou ao ministro relator um pulso firme, forte. Também lembrar-se do papel do Bolsonaro ali naquela sala. Quando julgado, Lula foi enquadrado por Gabriela Hardt (embora de maneira exagerada) mandando-o ficar quieto. Pois ali ele era réu e só falaria quando ela mandasse e sobre o que ela mandasse. Portanto, está posto que ser ex-presidente não é passível de tratamento mais cordial por parte do poder judiciário.

Infelizmente, considero a conduta do interrogatório por parte de Alexandre de Moraes como fraca e pouco inquisitiva de fato. Bem diferente da atitude do próprio ministro com outros réus e testemunhas ao longo do processo penal.

Agora, só nos resta esperar pela sentença, torcendo para que seja firme para punir o ex-militar e seus aliados por atentarem contra a democracia e tudo aquilo que só existe por conta dela na sociedade brasileira.


Posts relacionados



Deixe um comentário