
O verdadeiro tríplex
O esquema do Banco Master, cuja maquinação não creio ser obra do Daniel Vorcaro por si só, tem revelado como funcionam as relações na elite oligárquica de nossa sociedade, como afirma o sociólogo César Callejon.
O Instituto Conhecimento Liberta há muito vem sendo perseguido judicialmente pelo senador Ciro Nogueira, chamado até de pistoleiro de aluguel do Partido dos Trabalhadores, para agora ter suas reportagens praticamente referendadas pela Polícia Federal.
O tanto que falaram do ‘triplec’, como diz o dialeto do senador Sérgio Moro, do Lula, que nem era do Lula, e o quanto falam disso até hoje, não está escrito.
Mas agora, habemus tríplex, não é mesmo, Ciro Nogueira? Um triplex de cobertura, avaliado em mais de 22 milhões de reais, na Oscar Freire, uma das áreas com o metro quadrado mais caro da cidade de São Paulo.
Até agora, a única coisa de que podemos ter certeza quanto à origem dos recursos usados para a compra do ‘triplec’ do senador e presidente do Partido Progressistas – o partido com o nome mais voltado ao estelionato eleitoral possível, pois de progressista não há nada – é que eles não podem ser lícitos. O salário de senador pode ser alto — mais de quarenta mil reais —, mas não há como bancar um apartamento de tal monta.
Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro: “Irmão, me dá uma luz”
E enquanto discutíamos o triplec de Ciro Nogueira, o Intercept Brasil, o mesmo veículo da bomba da Vaza-Jato que permitiu que o STF finalmente revisse a inconstitucionalidade da prisão em segunda instância, lançou uma segunda bomba, mais uma vez escrevendo seu nome na história da nossa nação pindorama: R$134 milhões de Daniel Vorcaro prometidos a Flávio Bolsonaro, dos quais R$61 milhões foram de fato pagos, supostamente para a realização de um filme sobre Jair Bolsonaro.
Sejamos sinceros, com a vida pregressa de Bolsonaro sendo a que foi, não há como esse ser o custo real de um filme sobre ele. Quanto deve custar gravar a representação de 40 anos de sonecas em sessões parlamentares da Assembleia Legislativa Federal?
Admito que me passou pela cabeça a possibilidade desses recursos estarem financiando a mísera vida (contém ironia) de Eduardo Bolsonaro e cia. no Texas, Estados Unidos.
Por que isso me veio à cabeça? Você, leitor, ou você, a voz da minha cabeça que ressoa enquanto escrevo isso, pode perguntar.
Porque o excelentíssimo repórter da Revista Piauí, João Batista Jr., fez um sacrifício em nome do povo brasileiro e passou dias acompanhando o Bananinha em seu périplo golpista pelos Estados Unidos.
Ele descreve voos em jatos privados, hotéis cinco estrelas, uma vida que definitivamente Eduardo não teria como manter considerando que qualquer recurso do Brasil não tem como alcançá-lo dado o bloqueio de seus bens pela ação no STF que o julga por coerção no curso do processo – por ter tentado interferir no resultado do julgamento de seu pai pela tentativa de golpe de 8 de janeiro ao ameaçar juízes e agentes da polícia federal usando sua bananística influência junto ao governo dos Estados Unidos.
Quando perguntado como custeava sua vida pelo repórter, Eduardo Bananaro recusou-se a responder.
E talvez agora tenhamos descoberto o motivo.
O tal patriotismo da família Bolsonaro
Temos sempre que nos lembrar de que, quando os Bolsonaro dizem ‘família acima de tudo’, querem dizer ‘famiglia Bolsonaro acima de tudo’, mesmo que para isso tenham que desviar dinheiro de aliados, mentir sobre um filme que definitivamente não custou R$ 134 milhões – ainda mais com o Flávio Bolsonaro dizendo que isso era o valor de um investidor e que ainda há mais dez investidores que preferem conservar o anonimato.
Eu conservaria meu anonimato também, se fosse eles. Estar associado ao maior escândalo de corrupção da história tupiniquim não seria algo positivo em seus currículos.
A Terra plana não gira; ela capota e o roteirista do Brasil não está para brincadeira. Preparemos nossos corações e mentes para a próxima semana, porque me parece que as coisas só se agravarão daqui para a frente.


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