Ainda podemos nos chamar de seres humanos quando não nos resta humanidade alguma?

Minha mãe perguntou sobre o status do barco no qual encontram-se (até então, quando ela fez a pergunta, achávamos que ainda estavam no veículo) Greta Thunberg e outros ativistas com suprimentos ínfimos ao sofrimento de Gaza, mas ainda assim, suprimentos que indubitavelmente ajudariam algumas pessoas.

Uma breve pesquisa no Google contou-me o que nenhum podcast (nem mesmo aqueles aos quais normalmente recorro para me informar) ou veículo televisivo de comunicação (oi, globo!) contou.

Greta Thunberg e todos os ativistas foram deportados.

Caso o controle total de Gaza por Israel ainda não estivesse comprovado, o fato do país sionista se considerar autoridade para deportar pessoas navegando livremente por águas internacionais (pelo direito internacional) que estavam chegando em Gaza, e não em Israel, o faria.

Querem evitar entrega de armas ao Hamas? Ok, compreensível. Mas, por favor, elucidem a socidade global: qual dos itens de ajuda humanitária levados pelos ativistas eram armas, justificando assim sua interceptação?

É preocupante que cinco dos seis ativistas franceses recusaram-se a assinar suas respectivas ordens de deportação e agora se veem combatendo o sistema judiciário israelense. É cabível assumir que eles estão naquela maldita prisão na qual Israel entucha todos aqueles que não apoiam seu atual radicalismo.

Uma pesquisa de opinião revelou que mais de 80% da população de Israel acredita que o plano de Trump para Gaza, ou seja, a limpeza étnica dos palestinos e a consequente construção da “Riviera do Oriente Médio”, é a melhor saída pra Gaza.

Sinceramente, me pergunto quando foi que nós, humanos, perdemos toda a nossa humanidade?

Muitos acharam a posição do Presidente Lula absurda quando ele comparou o que Israel faz com os palestinos ao nazismo, mas ele estava certo. Israel inegavelmente orgulha-se de se tornar a personificação da frase “o abusado vira o abusador”.

O que me enoja mais é a cegueira voluntária do resto do planeta.

De novo: será que podemos nos chamar de seres humanos quando toda a nossa humanidade se desintegrou?




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